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Wednesday, November 19, 2008

No me gusta que escribas sobre mí III

Tão recorrente, mesma forma, mesma quebra, igual silêncio, economia de gestos e palavras... ausência, olhares que se cruzam, medrosos e divergem... pode ser melhor assim, espero, via única do corpo, ação potencial que não terá resposta, estímulo vago, impreciso, perdido e solto...não mais o que julguei desejo e por isto mesmo vontade, apenas fato... vai passar... no me gusta que escribas sobre mí, nadie...

Janela,silêncio

Via a borboleta, tão linda de asas transparentes que pareciam vidro, não, na verdade pareciam pequenos pedacinhos de vidro, não, vejo de perto, cada vez mais perto, constato e me certifico, são pequenos pedacinhos mesmo, foram colados ou apenas alinhados com as mãos, moldados certamente no instante em que soprava aquele vento cortante, o mesmo que entrava pela janela, esquecida aberta, no meio daquela tarde. E do medo de que os pedacinhos fossem dispersos, surgiu a nova forma, tão ou mais frágil que antes... não conseguia segurá-la, não poderia retê-la com as mãos e por isto, apenas por isto, fechei a janela...separados pelo vidro, de um lado meu olhar, meu desejo e minha vontade e do outro ela, a borboleta de vidro quebrado, mais uma vez separados pelo vidro e pelo medo. Pensei, ela sairá logo da minha janela imaginária, se ao menos sentisse um calor insuportável que justificasse a abertura , mas ela lá, parada...meu medo não deixou que entrasse, receava que minhas mãos quebrassem a fina malha de vidro entrecortada por vida...imaginei o cheiro que teria, se seria suave ou áspera ao toque, se cálida ou fria, mas não permiti sua passagem. Ficamos imóveis, eu , ela , o vidro da janela, o ar, o tempo... aos poucos, bem devagar, aproximação furtiva com medo de que ela voasse, meus dedos percorriam suas asas, seu contorno preciso, me afasto e vejo minhas digitais no vidro e através dele ela, parada, imóvel... permanecemos assim... imóveis... então olhei através da dupla superfície, o vidro e suas asas, via a cidade naquele final de tarde, algumas esparsas luzes, a vontade de que fosse diferente... mas, receoso, mergulho na noite, mudo a direção do meu olhar e tento não pensar na imagem através do vidro... penso no seu corpo, de vidro... no meu medo concreto, na minha busca, rapidamente meus olhos buscam a sua claridade, continua lá, me certifico; Com alguma certeza vejo que ainda está lá, imóvel, e repetidas vezes refaço meu percurso, nesta noite me descubro vazio. olhar vazio, solidão, mesmo acompanhado por sua imagem... ilumino meu espaço com a vaga impressão de que sairá mas ela persiste... ela não tem medo da luz, da clara verdade, penso... admito sua imagem e o agora nosso limite, estabelecido, intransponível...

Puro, incômodo

Sua estupidez me choca declaradamente... então transformo minha raiva em fina e sutil ironia e te incomodo com a minha relativa tranquilidade...estou apenas esperando...

Soltab 15mg

Decididamente, outra sensação começa aqui... de mudo turvo, escorregadio, me agarro ao fio...junto os pedaços, as palavras aos pedaços, e percorro novamente o caminho já conhecido...estranho e confortável, tudo parece ter e fazer todo o sentido... não penso, sigo...

Wednesday, November 12, 2008

No me gusta que escribas sobre mí II

Incomoda, e muito, esse tipo de afirmação. Precipita uma série de reações indesejáveis, o medo, a dor, por favor, não fale, não pense, não afirme, não duvide, nada , não faça nada, exista, apenas...

Sunday, November 09, 2008

Peace on mind...

Tudo isso é resultado da conversa anterior. Volto à dor, visita indesejada... retomo àqueles dias, mas não sinto novamente, outra história...e ironicamente rio da estupidez alheia, sempre alheia, ao sofrimento próprio, percebo que parece mais fácil delimitar e classificar o outro, o intermédio ... não quero mais assim, não preciso disto... eles não entendem nada, não estão no trem que já começa andar... pegam um pedacinho da história e criam outra, confabulação pequena, sombria, pequena mesmo. Decido então, quebro e afasto, como antes, trituro o que não faz nem traz sentido...

Tuesday, November 04, 2008

Barcelona in Dub

O som inunda os espaços, solto a fumaça, quase, não leve, ao contrário, denso, pesado, penso no ciclo, talvez seco, recorrente, e de novo a dor... a borboleta com asas quebradas, clara, quase cristalina, o porto, o sol, o ar, dificil respirar assim, o gosto de sal e do sol na pele...haverá saída, sim... mas a imagem do círculo me apavora, medo dos mesmos gestos, da falta que posso sentir deles... aeroporto, esperando, fim do dia, o sol, luz fraca invadindo, a vontade de ficar, sem saber absolutamente nada, o que fazer, como fazer, imóvel, sob o sol que naquele momento também parece imóvel... todos os rostos, a voz, as mãos, o medo...

Saturday, November 01, 2008

Le depart

E rapidamente retomo o gosto e o prazer da palavra, sem medo de parecer recorrente ou mesmo igual, ritmo vertiginoso, acompanhado de sensãções quase físicas... por meio delas exponho, anulo, quebro e destruo, mas no lugar, aparecem outras, concretas, existentes, vivas... após a partida, o retorno.

Projeto

Exclusão do que não faz nem traz sentido...

Ana C

Acordo, meu primeiro café, meu primeiro cigarro, vejo sua foto no jornal, inevitável pensar em vc... quase saudade, o início, suas palavras, seus pedaços... sem respostas, tudo muito leve e suspenso, releio mais e mais uma vez: tão recorrente, tão igual... e a vida explode lá fora, cruzando o espaço e a janela descubro umas rosas brancas perdidas no limitado verde urbano, então quase sinto o cheiro doce e diurno delas, penso novamente, e a saudade muda, fica morna, confortável, sem dor...