Ao som de metade...
Eu ouço "... metade exilada de mim... metade arrancada de mim... que a saudade é o revés do parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu, metade amputada de mim... a saudade dói, é assim como uma fisgada... pedaço de mim, metade adorada de mim, lava os olhos meus, a saudade é o pior castigo..." É assim que te vejo, como a minha metade, sou agora um monte de fragmentos. Não sei como uní-los, não sei como fazer isso. Me perdi tantas vezes pela vida, pelo mar... você me entendia completamente. Seu silêncio ou mesmo sua loquacidade, suas perguntas que eu tentava nunca deixar sem respostas. Agora, pequeno, ficou para mim a pergunta: por que? por que? É difícil tentar estabelecer uma rotina, esta nova rotina fundamentada na ausência, e por isto mesmo, já nasce incompleta, condenada ao vazio, aos extremos. Dói chegar em casa e não te encontrar na porta, dói não ser puxado pela mão, dói não ligar o computador e ficar buscando as imagens da pequena sereia que você tanto gostava. Dói tomar café e olhar para sua cadeira vazia. Dói entrar numa biblioteca e não ouvir você dizer "... nossa, quantos livros, que legal!...", assim como machuca passar pelo saguão do prédio, ver as esculturas e não te ouvir dizer, admirado: ... la terre, l'air...lembro do aniversário, você pedindo para que ficássemos abraçados, juntos, você rindo, um riso lindo, sonoro, infantil, verdadeiro. O riso que eu sempre quis ter e, por tudo isto, não terei. Procuro respostas, não acho nada. Saudade da sua voz, dos seus olhos, das suas mãos, de você, de tudo...


2 Comments:
Ele não o deixou. Várias vezes está perto de você, de mim, de todos que o amamos tanto. A metade não se foi, ela está a seu lado, agora em uma dimensão que não é alcançada pela dor, pelos temores de ficar só, pois tem a seu lado Deus e pode, quando bem entende, acercar-se de nós. Passamos longos períodos juntos - aqueles em que eu percebo, porque sei que ele me olha, ainda, como naquela imagem de 1990. Não deixe que a dor seja um véu a cobrir seus olhos - você já andou bem mais que eu na seara espírita e lá estão as explicações todas. Além disso, Deus é bom e quis poupar o Nosso Príncipe das dores, das desilusões desta vida - as quais eu e você conhecemos em profundidade. Lembre-se de outra canção: Quem não semear/não vai colher/ai de quem/é um e nunca será dois/no amor... quem irá me valer/é o sorriso que guardo comigo
Que este sorriso lhe devolva a confiança, Dado, feche seus olhos e veja-o,lindo como sempre, a sorrir... que a alegria dele lhe mostre que a vida continua - e ele está a seu lado. Forte abraço. Deus o ampare, assim como me tem sustentado.
Fiquei tão emocionada com o que escreveu, que chorei. Sem palavras.
Post a Comment
<< Home