ajs and blog
Monday, December 27, 2004
Me perco na fumaça do cigarro que trago entre os dedos e, sem pensar nas muitas vezes perdidas, atiro o olhar e o pensamento para as pequenas coisas distraídas. E assim, levemente perdido, refaço o caminho com a certeza de que você não estará lá... e isto parece bom... cai a noite e, com ela, a minha vontade de que seja diferente...
Hiato
A nossa dura conversa é produto da noite anterior. Naquele exato momento percebi o quanto insistimos em algo que nunca deveria ter existido. A sua aparente felicidade pelo que vive agora só confirma que nossos objetivos sempre foram opostos. Só não consigo entender porque permanecemos cegos diante de algo tão óbvio. É este o erro que tento reparar. O hiato que necessito é apenas uma medida de salvação. Por que criar uma realidade falsa, uma amizade que , de fato, jamais existirá ? Tento todos os dias apagar qualquer sinal daqueles dias. E você deveria compreender os meus mecanismos... a minha percepção é assim mesmo, fragmentada, aos pedaços, por isto não quero que estas lembranças permaneçam... Vou destruindo qualquer frágil ponte que você insiste em estabelecer. Não atendo o telefone, jogo fora os objetos, esqueço as datas, mudo meus números, outros locais, desconstruo sua imagem que permanece em mim. Quero e terei a indiferença. Estou apenas começando...
Limitação
Seus recursos limitados impedem a real visão das coisas. O que você chama de realidade é, para mim, a constatação óbvia de limites que insisto em ultrapassar. Quando te falo do limite é isto que quero dizer. Não sou assim tão claro como vc diz ser... resumo esta noite como uma atuação imprecisa e equivocada... você não é o exato modelo que preciso. O que te parece resolução vejo como comodismo. Não tente ensinar aos outros o seu modelo escasso, vazio. Com relação aos outros que você tanto critica, acho que foram mais corajosos, até o limite permitido... vertiginoso mergulho que me permito, ciente da brevidade e distante de limitados... como você!
Tuesday, December 21, 2004
desconhecido
Resolvida a primeira e imediata fome... pós tudo isto penso em pós-coito, animal triste. Recordo o título do filme e os fatos daquele tempo. Não posso subestimar tal fome.. Pensamentos turvos, escorregadios, presos num fio tão fino que tenho medo que arrebente. Justifico como álcool, embriaguez ou algo parecido, mas no fim é sempre o mesmo modo. Fecho os olhos, os dedos continuam o ato, mecanica e desesperadamente. Surge então um, vários rostos, palavras e promessas rapidamente quebradas e o cheiro que fica. Já disse, sempre fica um cheiro vago, odor misto prontamente associado ao gosto , atitude e lembrança... Me perco nesta e então imagino como seria diferente ou se mais uma vez perderia... são noites rubras... se te parece incompreensível, imagina para mim... tormento, doce, sangue, vinho, rua... e mais uma vez o perfume das rosas amarelas que me sufocam... desconheço e admitindo aceito...
Sunday, December 19, 2004
Raso, largo, profundo...
Então retomo o meu silêncio e as suas habituais consequências... melhor assim... como naquela música, raso, largo, profundo...
Agora!
Claramente aviso que este aparente encantamento e o desejo que ele produz, serão breves, frustos, como tudo o que até agora fizemos. Não desejo continuidade, produtividade ou qualquer outra coisa que tente superar o conceito mais dolorosamente existente: o tempo. Não espero, nada quero, não insisto, não busco eternidade... Gosto das águas violentas que derrubam as margens e espalham toda a terra pela frente. É o oposto do lago tranquilo que visualizas... Não suportaria tais limites... a minha vontade e talvez necessidade, é dar vazão ao caos e à desordem... a fumaça do meu cigarro te incomoda, assim como a sua aparente calma... preciso de velocidade, vertigem, mergulhos profundos em mim e nas minhas palavras. Sinto tudo isto e é maior que pura escolha... tudo é e está assim... sem lugares definidos, sem ordem pré-estabelecida, acontecendo... vivos... aos vivos... por isto não consigo responder suas perguntas... futuro... o que é isto? Só entendo o agora... que até pode ser eterno, mas agora...
Paralelo, apenas...
Seus olhos verdes e alguns ácidos comentários me incomodam ao ponto de não mais querer ouvi-los. Penso no que falam os outros, no bem que acreditam que você possa me fazer... mas o que faço, se eu mesmo não acredito nisto, pelo menos na maior parte do tempo. Gosto do seu cuidado, da sua atenção mas acho que, no fundo, a minha incomunicabilidade transparece. Percebo esforços, meus e teus, para encontrar semelhanças, afinidades ou qualquer coisa que justifique a permanência. Mas são instrumentos, linguagens e os correspondentes significados que demonstram que somos apenas e tão somente paralelos... brusca tangente que o tempo ou nós mesmos perceberemos... no fundo conforto pela honestidade... acho que é isto, precisamos urgentemente de uma vida comum... você não compreende os meus silêncios, a minha desesperada eloquência, nem entende como posso ficar assim, cercado por palavras e sons e lembranças e pensamentos remotos mas terrivelmente existentes, como nós, com medos, desejos e ainda sonhos... tão esparsos que até parecem reais... mas não o são, e isto eu percebo e, sem mágoa ou medo, te digo e não busco ou espero respostas... eu transbordo e você vazio...
imersão
E depois da cena, presencio e refaço todo o percurso mental que me consumiu alguns meses e o quase sofrimento que dele resta. Mas ainda assim vejo que é importante tal fato. Isto responde algumas questões que por muito, muito tempo, ficaram sem resposta. E então te vejo, vazio, raso, no contexto completo do seu mundo que para mim é completa e absurdamente estranho. E sinto coisas vagas, misto de rancor e mágoa, mas ao mesmo tempo é bom saber que a diferença nunca foi tão evidente. Sinto que perdi muito do meu já escasso tempo...E desejo profundamente a indiferença, já sem passado... como quando já forem passados muitos e muitos anos e, por acaso, numa rua qualquer de São Paulo, Lisboa, Barcelona ou Fortaleza, nossos olhares se cruzarem e, num átimo, saberei que o amargo gosto da memória, este travo que situa-se entre minha língua e teu olhar, não existe mais e, com ele perdido, esquecerei os dias... molharei as mãos e o rosto no mar e verei tudo que até então parecia oculto: eu mesmo, sem o mínimo sinal da presença... e não precisarei mais parecer simpático e educado... serei eu mesmo, assim, animalizado, passional, vertiginosamente mergulhado na vida, imerso em mim e no que gosto...
Thursday, December 16, 2004
código
E novamente pairam muitas dúvidas sobre a minha cabeça. Achei que fosse apenas o cansaço de mais uma noite mal dormida. Então tento dormir mas é inevitável pensar... o ciclo fecha... todavia não sinto falta e isto pode ser um sinal, mais um dos meus códigos... você não percebe ou pelo menos não demonstra; parece não ter medo e a sua agora relativa segurança me assusta. Reajo, levanto, banho e a vida continua. Lá fora explode o sol, o calor. Sairei...
Sunday, December 05, 2004
Paseabase el Rey moro...
Insônia, madrugada alta. Penso em ciclos, talvez círculos, sem idéia de continuidade mas também sem término. Presencio, existo, preciso e respeito escolhas... talvez por isto a finalidade do fim do ciclo, seco, quase áspero. Ouço a Paseabase el Rey moro... novamente as escolhas invadem minha cabeça, um exílio talvez fosse mais fácil ou pelo menos suportável. É difícil entender tamanha indecisão, a sua, o meu medo e o meu temor de outras vezes... repetidas... na verdade não há tanta diferença nestes momentos, o seu, sua perda, seu medo, sua dúvida, seu temor, a falta de conhecimento que percebes e persegues como justificativa para o receio... mas eu também vejo as coisas assim e , apesar do imenso prazer, do seu cheiro que busco pela casa, da lembrança de sua voz, do seu olhar, dos olhares que trocamos no carro, da chuva incessante que inunda a cidade e a minha cabeça, do cinza que cerca e persiste, vejo a possibilidade...Questão de peso ou medida, ou tempo ou nada disto. Percepção, algo vago e subjetivo, numa linguagem que não conhecemos... Ah, essa música que ocupa todo o meu espaço, onde percebo um pequeno Deus, quase tão real que pareço tocá-lo, nos quatro cantos e então vejo... perspectivas, sonho e desejo, ainda...
