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Tuesday, October 20, 2009

Tio, posso usar a impressora?

É uma situação irreal, estranha, muitas vezes me pergunto se está realmente acontecendo. Hoje, como em todos os dias, pensei tanto em você. Sentado frente ao computador, como você fazia tantas vezes... precisei imprimir uns documentos, inevitável lembrar do seu prazer à medida que as folhas eram impressas, suas atividades. "Tio, posso usar a impressora para imprimir umas atividades?"... dói não poder responder, dói por não ouvir esta pergunta... convivendo com você, redescobri a beleza de alguns objetos... os vários tipos de papel, as canetas, lápis de cor, revejo você com a maletinha amarela cheia deles, a sua alegria em ter uma mesa repleta de gravuras, lápis, folhas e mais folhas de papel...aquela era a vida que eu gostava, pequeno. Ficava tão feliz em dividir esse mundo especial, bonito e colorido com você. O outro mundo, o de agora, continua, tem esses objetos, mas eles estão e são vazios, sem você, sem suas mãos ágeis, sem as suas perguntas, sem as minhas respostas... de um modo desesperado, preciso de você, preciso do seu amor.

Ao som de metade...


Eu ouço "... metade exilada de mim... metade arrancada de mim... que a saudade é o revés do parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu, metade amputada de mim... a saudade dói, é assim como uma fisgada... pedaço de mim, metade adorada de mim, lava os olhos meus, a saudade é o pior castigo..." É assim que te vejo, como a minha metade, sou agora um monte de fragmentos. Não sei como uní-los, não sei como fazer isso. Me perdi tantas vezes pela vida, pelo mar... você me entendia completamente. Seu silêncio ou mesmo sua loquacidade, suas perguntas que eu tentava nunca deixar sem respostas. Agora, pequeno, ficou para mim a pergunta: por que? por que? É difícil tentar estabelecer uma rotina, esta nova rotina fundamentada na ausência, e por isto mesmo, já nasce incompleta, condenada ao vazio, aos extremos. Dói chegar em casa e não te encontrar na porta, dói não ser puxado pela mão, dói não ligar o computador e ficar buscando as imagens da pequena sereia que você tanto gostava. Dói tomar café e olhar para sua cadeira vazia. Dói entrar numa biblioteca e não ouvir você dizer "... nossa, quantos livros, que legal!...", assim como machuca passar pelo saguão do prédio, ver as esculturas e não te ouvir dizer, admirado: ... la terre, l'air...lembro do aniversário, você pedindo para que ficássemos abraçados, juntos, você rindo, um riso lindo, sonoro, infantil, verdadeiro. O riso que eu sempre quis ter e, por tudo isto, não terei. Procuro respostas, não acho nada. Saudade da sua voz, dos seus olhos, das suas mãos, de você, de tudo...

Saturday, October 10, 2009

Marguerite Duras; o horror de um amor semelhante

Há alguns anos, não sei precisar, talvez 1993 ou 1994, durante o internato, estágio de pediatria, este texto me foi entregue. Lembro que li, gostei, ainda que o tivesse feito de um modo quase mecânico, Talvez porque o meu conhecimento fosse incompleto, não conhecia as regras e imposições da dor. Muitos anos depois, numa manhã de sábado, cansado das muitas e maldormidas noites, o texto voltou. Novamente o tive nas mãos. A compreensão é agora plena... a dor é hópede permanente.
El horror de un amor semejante
"Me dijeron: “Su hijo a muerto.” Era una hora después del parto. La hermana superiora fue a descorrer las cortinas, el día de mayo entró en la habitación. Yo había percibido al niño cuando había pasado ante mí, sostenido por la enfermera. No lo había visto. Al día siguiente, pregunté:”¿Cómo era?” Me dijeron: “Es rubio, un poco pelirrojo, tiene cejas altas como usted, se le parece.” “¿Está aún ahí?” “Sí, está ahí hasta mañana.” “¿Está frío” R. me contestó: “Yo no lo he tocado, pero debe de estarlo. Está muy pálido” Luego vaciló y dijo: “Es hermoso, esto debe ser también debido a la muerte.” Pedí verlo. R. me dijo no. Lo pedí a la madre superiora, ella me dijo no, que no valía la pena. Me habían explicado dónde estaba, a la izquierda del cuarto de trabajo. No podía moverme. Tenía el corazón muy cansado, estaba acostada boca arriba. No me movía. “¿Cómo tiene la boca.?” “Tiene tu boca”, decía R. Y cada hora: “¿Está aún ahí?” Decían “No sé” No podía leer. Miraba la ventana abierta, el follaje de las acacias que crecían en los terraplenes de la línea de ferrocarril, que bordeaba la clínica … Hacía mucho calor. Una noche, la hermana Margarite estaba de guardia. Le pregunté: “¿Qué van a hacer con él?” Me dijo: “No quisiera hacer otra cosa que quedarme con usted, pero hay que dormir, todo el mundo duerme.” “Usted es más amable que su superiora. Va a ir a buscar a mi hijo. Me lo puede dejar un momento.” Ella exclamó: “¿No lo dirá en serio?” “Sí. Quisiera tenerlo junto a mí una hora. Es mío” “Es imposible, está muerto, no puedo darle a su hijo muerto.” “Quisiera verlo y tocarlo. Diez minutos.” “No hay nada que hacer, no iré” “¿Por qué? “Le haría llorar, se pondría mala, es mejor no verlos en este caso, tengo experiencia.” Es pasado mañana, a la fuerza, me han dicho para hacerme callar: los quemaban. Era entre el 15 y el 31 de mayo de 1942. Dije a R.: “No quiero más visitas, sólo tú” Seguía tendida boca arriba, cara a las acacias. La piel de mi vientre se pegaba a la espalda, de lo vacía que estaba. El niño había salido. Ya no estábamos juntos. Él había muerto de una muerte separada. Hacía una hora, un día, ocho días; muerto aparte, muerto en una vida que habíamos vivido nueve meses juntos, que él acababa de dejar separadamente. Mi vientre caía de nuevo pesadamente sobre mí, una tela usada, un andrajo, una mortaja, una losa, una puerta, una nada. Había llevado a este niño, sin embargo, y había sido en el calor viscoso y aterciopelado de su carne, dónde había crecido este murto marino. El día lo había matado. Había sido herido de muerto por su soledad en el espacio. La gente dice: “No fue tan terrible al nacer, es mejor así.” ¡Fue terrible! Lo creo. Precisamente, eso: esta coincidencia entre su venida al mundo y su muerte. Nada. No me quedaba nada. Este vacío era terrible. No había tenido hijo, ni siquiera una hora. Obligada a imaginar. Inmóvil, imaginaba.

Este que ahora está ahí y duerme, éste, hace un momento, ha reído. Ha reído a una jirafa que acababan de darle. Ha reído y ha hecho un ruido de reír. Había viento y una pequeña parte del ruido de este reír ha llegado hasta mí. Entonces, he levantado un poco la capota de su coche, le he vuelto a dar una jirafa para que riera de nuevo y he hundido la cabeza en el capote para captar todo el ruido de la risa. De la risa de mi hijo. He colocado el oído contra la concha y he escuchado el ruido del mar. La idea de que esta risa se hubiera dispersado en el viento era insoportable. Lo he sabido. Soy yo, quien lo ha tenido. A veces cuando bosteza, respiro su boca, el aire de su bostezo. “Si muere, tendré esta risa.” Sé que puede morir. Mido todo el horror de un amor semejante".

(Marguerite Duras – Sorcières 1976)

Fragmentado

Meu sono é fragmentado, descontínuo, como tudo agora. Sua imagem é recorrente. Te amo tanto, amor, saudade e esta dor.

Friday, October 09, 2009

O meu conhecimento e a minha percepção são anteriores, obscuros, quase secretos. Denominadores comuns da dor. Diante disto, todas as minhas experiências anteriores assumem um aspecto teórico, sim era um teórico da dor. Hoje não. Ela é real e terrivelmente existente. Irreversível. Outro significado: vazio, saudade, limitação. Continuo como um suporte mecânico, sem desejos, sem vontades, sem objetivos. A comunicação é interrompida abruptamente, não quero falar, apenas sinto. Meus olhos traduzem tudo. Não preciso falar. É tão evidente. Com saudade, com dor, com desespero, te amo.

A revista, a foto

Hoje eu voltei ao Graac, meu amor. Fui buscar a revista. Na capa sua foto. Revi todo nosso percurso, as escadas onde, discretamente, eu comunicava o meu desespero e o meu medo. Tudo continua lá, as crianças, os brinquedos, os olhos assustados, a dor. É tão difícil acreditar que estou vivendo esta situação. Você continua presente. Você está em mim. Se vou ao café inevitavelmente vejo o donnuts colorido que você gostava. No mercado os docinhos e a gelatina. Na livraria, no meio dos livros descubro a pequena sereia... nos discos... em tudo... incompleto, sem a metade. Então não aguento e choro... tenho medo de que a minha tristeza te perturbe, mas você me entende, o tio precisa tanto de você, meu amor.

Wednesday, October 07, 2009

O sonho

Tive, durante o sono, a alegria de te reencontrar. Tão bom ouvir sua voz, ver seus olhinhos, suas mãos. Acordei, me dei conta de que foi sonho, mas ainda assim fiquei mais tranquilo, suas palavras me deram força. Esperarei, meu amor...