Ana C
Acordo, meu primeiro café, meu primeiro cigarro, vejo sua foto no jornal, inevitável pensar em vc... quase saudade, o início, suas palavras, seus pedaços... sem respostas, tudo muito leve e suspenso, releio mais e mais uma vez: tão recorrente, tão igual... e a vida explode lá fora, cruzando o espaço e a janela descubro umas rosas brancas perdidas no limitado verde urbano, então quase sinto o cheiro doce e diurno delas, penso novamente, e a saudade muda, fica morna, confortável, sem dor...

1 Comments:
o nome da flor
tudo que tem vida tem uma medida.
o nome da flor é um latim meio esquisito,
mas não vulgar
e me transpõe o nervo retraído.
finjo manipular olhares, acabo fixando cartazes, exponho:
tato, retrato
e sombras emergentes.
porém onde jaz
o nome da flor, há espinhos e cólicas.
estou longe e digo meus ais sintéticos
e repetitivos aos acontecimentos biográficos
e antecipo
minhas idéias
em uma única frase. não creio no movimento
de coisas meio esquisitas.
não, não no movimento de vai-e-vem,
mas na mão mais atrevida.
e a flor com nome latim
transgride a trilha sonora
terrorista da novela das oito.
e, agora está perdida pelo jardim
alucinado
e embora o tempo passe
nunca
um destino durou para sempre.
não sei o nome da flor,
se alguém souber
não me diga,
na verdade é melhor guardar segredo e não dizer
nem em Braille,
porque só tenho uma cega impressão
me bloqueando a visão.
Jorge Luiz Freneda
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