ajs and blog
Wednesday, February 23, 2005
Tarde quente e abafada. Um descanso rápido antes do plantão e, nesta hora vazia, é inevitável pensar... quase sonho que se quebra. Mentalmente me vejo e digo e penso:"Tu veux partager c'que je suis...C'que j'vaux, c'que j'vis. C'que j'vois, c'que j'ai vu. E après on verra. Si l'amour meurt, alors dis moi c'qu'il rest...Des cases vides, des causes injustes... Juste des gestes...". Constatação óbvia, necessária e precisa: irreversível.
Sunday, February 20, 2005
Vazio
E com pequenos atos preenchemos o tédio dos dias. Percebo desejo e receio, em igual medida... não perguntarei mais, não exigirei coerência ou atitudes específicas. E, então, quando tudo isto não for mais necessário, perceberemos sua real importância... penso na noite anterior, rostos conhecidos, palavras desnecessárias, assim como a aparente segurança... me assusta a rapidez das coisas... não as percebo assim, não quero assim, não gosto e não preciso... e com a cabeça cheia de "nãos" aceito e admito a tranquilidade dessa noite, vazia... transbordamos, apenas isto...
Thursday, February 17, 2005
Va Savoir...
Ao contrário do que a Elba diz, vou me sujar fumando não apenas um cigarro, mas vários, enquanto espero pacientemente o fim de mais uma noite insone. Alta, alta madrugada, repenso várias e perdidas histórias. Como se , resumidamente, tudo coubesse nesta noite: hospital, saída, casa, jantar, bar, umas e outras cervejas, conversa idiota, desinteressante e perdida, tentativas de comunicação e por fim admito e aceito a incomunicabilidade... penso na sua presença, hoje distante, assim como as atitudes que percebo... fecho definitivamente a tentativa de comunicação, em respeito ao seu silêncio... se vc apaga todo e qualquer sinal, porquê insistir? no fundo só queria uma resposta... não imaginava a ameaça que representava...pronto, vejo suas fotos, me despeço delas e do passado, e num instante rápido, decidido, preciso e não menos feliz (mas necessário) apago... nunca mais buscarei tal palavra... recolho todas as fantasias, guardo, embrulho no pano de guardar confetes... quem sabe no próximo carnaval? Até lá continuarei esperando...
Friday, February 11, 2005
Pós tudo
E tudo começa quando, entediado no bar, resolvo sair... a chuva que torrencialmente inibe qualquer projeto... mas quando no rádio do táxi ouço "tudo que move é sagrado e remove as montanhas com todo cuidado, meu amor..." , fecho os olhos e sonho que será diferente... surpreendentemente bebo e danço e rio... e muito, muito contente, imagino que será diferente... volto tranquilo para casa e aqui estou, vivendo e admitindo... preciso...
Thursday, February 10, 2005
Tous les matins du monde...
E nesta madrugada insone em que fumo e existo compulsivamente, tento ordenar o caos, pensar no dia seguinte, nas pequenas e necessárias coisas... mas sua imagem é recorrente, assim como as palavras que servem de referência quando penso em você: irreversível, irreversível... Difícil ficar sem as respostas às quais eu me acostumara... ficou tudo suspenso, imóvel, inerte... a agilidade fica restrita ao movimento rápido e preciso com o qual busco e trago os meus cigarros... restam poucos ... assim como os muitos e demorados minutos desta noite...a manhã nasce, e com ela a constatação de que todas as manhãs são mesmo sem volta...
Wednesday, February 09, 2005
Fotografia
Descubro aos poucos um prazer pequeno e secreto. Todos os dias vejo as suas fotos. Sim, agora tem mais duas... e tranquilamente sonho e imagino como poderia ser diferente... mas é apenas um desejo vago e, irreversivelmente, impossível. Não apenas pela distância física mas por todo o longo caminho que nos separa. São vontades e projetos e objetivos que por um curto e intenso espaço de tempo pareciam semelhantes... as muitas doses de Jack no primeiro dia.. sinto saudade dos comentários por vezes ácidos, dos pequenos passeios em busca de qualquer coisa, da observação cuidadosa e contínua do seu sono... observei tantas vezes, com extrema sutileza para que não despertasse... da sua inutilmente discreta paciência com os meus atrasos... e a sua constatação, pouco tempo depois, quando nos reencontramos, de que eu continuava o mesmo... sim, continuo o mesmo, preso a esse momento que escolhi como meu, quase como uma oração, uma prece ou texto ou música que busco nos instantes de recolhimento... e deste modo poderei sempre encontrá-lo... sem reservas ou limitações... como se fosse verdade...hoje e amanhã... abro os olhos e o vejo... lá, apenas, não aqui, não mais aqui... nunca mais ontem... nem ao lado...
Tuesday, February 08, 2005
Irreversível
Como no filme, como no sonho... breve discussão, palavras e sentimentos tão gratuitos...então arranco as chaves das suas mãos e já não sinto o limite. Velocidade extrema, carros passam, não consigo mais parar... alta madrugada e alta velocidade...subitamente o medo deste ato, a provável colisão que, felizmente, não acontece... não adianta fugir assim, corro, corro muito mas você está ao lado...desacelero, olho para os lados...irreversivelmente você diz: por que? Já falei, sou e estou seco e econômico com as palavras... saudade, que também é irreversível. E permaneço então calado, indivisível, suportanto o peso da decisão que não é apenas minha...
Sunday, February 06, 2005
Triste e Traiçoeiro II
Por que tudo isto? a imediata identificação com o filme e as muitas perguntas que você faz? Respondo com mais uma questão, como abaixo: por que você me quer? Falo que não quero, o que não quero... mas persistem dúvidas... melhor não pensar... ainda assim me pergunto quanto tempo conseguirei segurar essa história...triste e traiçoeiro... assim me vejo... não consigo demonstrar conquista, vontade de conquista, prazer ou qualquer outra coisa semelhante.Seria muito bom se pudesse corresponder às suas expectativas, sentir falta ou mesmo planos para uma era futura. Mas fico indiferente, divido o meu corpo e o amor ou o que restou dele... penso no passado, vejo a foto e uma saudade imensa invade todo o meu espaço e fica, então,muito, muito pesado dividir e conciliar sua presença, o passado, eu e toda a carga... fecho os olhos, ouço promessas e palavras agora antigas, o vago conforto que elas me proporcionam, pensar que um dia eu quis muito e tanto... mesma inicial, tão diferentes... o mesmo jeito de olhar, de desejar... o desejo do passado e a provável fuga do presente...
Triste e Traiçoeiro...
Como na música do Otto que não sai da minha cabeça e nem do som..."Por que você me quer assim triste e traiçoeiro...se eu posso dividir meu corpo e meu amor...na vida tenho muito que dançar para aguentar o peso, para parar de pensar no erro..." e com o medo e o peso do erro iminente te deixo sair... seria talvez melhor se não houvesse volta? nossos olhares se cruzam, paira um certo e perigoso desejo...não entendo mais nada, nem sei se quero ou se posso querer qualquer coisa...
