Cansado, parei de olhar a janela.Procurava dispersar a atenção com outras imediatas e necessárias coisas. Pensamentos recorrentes e ainda fragmentados, como os pedaços das asas dela, se a tocasse, pensei. Mas continuávamos imóveis. No calor daquela tarde imaginei chuva, tempestade, algo que a afastasse e, como se tudo contribuísse para isso, notei, então, grossos pingos de chuva . Me incomodava o calor, abrirei a janela. Mas não tive forças, permaneci sentado vendo e ouvindo a chuva lavando a cidade e a minha tarde. Tudo escuro, nem dia nem noite, chuva, a janela que separava e ela lá, sempre lá...