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Sunday, November 28, 2004

Hábito

Pelas constantes perguntas, acabo ouvindo respostas às quais já estou habituado. Os conhecidos efeitos. Não sei realmente se o maior defeito é te perguntar, se é o fato de você responder ou se é a minha reação. Existirá alguma compensação secreta nisto? Pura inocência ou limite da perversão? Prudentes concessões ou audácias extremas? Estas questões pesam... até onde? Apenas admito...

Pós-plantão

Sempre digo que nada pode ser decidido ou pensado após um plantão... mas o cansaço ajuda a decifrar alguns códigos e assim entender improváveis atitudes. Gosto desta rotina de domingo: chegar em casa, esquecer a noite mal dormida no hospital, tomar banho, café, jornal, dormir algumas horas, acordar desejando que o domingo não acabasse nunca. Então levanto, o banho morno delicioso, mais um café forte e amargo e o inevitável cigarro... um domingo nebuloso, chuva fina, dia cinza, pensamentos invadem minha cabeça e os meus espaços... relembro a semana, a dissociação entre o dia médico, cuidando dos outros, bom moço, a rotina de ouvir, ouvir, tentar entender o sofrimento físico e moral dos outros, falo, prescrevo e oriento e então já é noite e, com ela, a vertigem, os temas recorrentes da minha vida, os olhares infinitos, uma quase dor que me aproxima e ao mesmo tempo afasta... mas ainda é domingo, a tarde começa...

El Deseo

De novo o prazer e o medo da aproximação. Gosto de pensar e penso em você, ainda que com muros e reservas. Vejo estrada, noite, álcool, olhares e solidão. As mãos vazias, seu gesto, seu gosto e a falta que posso ter dele. Não sei... como se não fosse e não pudesse ser...

tradução

Gosto destes novos elementos, sua linguagem precisa mas carregada de sub-textos...Já falei, não sei lidar com números... mas também gosto dos seus silêncios, dos seus dedos passeando pelas folhas verdes e também secas, dos seus olhos verdes desesperadamente tranquilos... então me perco nesses olhos e já não penso em palavras, linguagem clara e direta, símbolos ... mas é inevitável pensar no contexto, o momento dos dois, vem a vontade louca de arriscar, mas o medo paira, amarelo e pálido, paira... é assim que vejo...

Saturday, November 20, 2004

Você fala e eu penso
minha linha, meu limite
Céu de Brasília... traço do arquiteto...
Isso vai longe...
Viver

Muro vermelho

De volta ao único céu que pode me proteger... o céu... o recuo e o muro. Inevitável pensar em Sylvia "escorre pelo muro, e eu, sou a flecha
orvalho que avança e, suicida, de uma vez
se lança
contra o olho vermelho"
Será que é sempre assim? Então penso e vejo imagens, muros, orvalho, hesitação...
Acho que por isto sempre demorei para a queda contra o muro vermelho. Se corro, vejo o abismo
Me lanço no abismo e mesmo sob o susto
Deliberadamente consciente dos meus atos
Caio
No abismo da paixão...

Dia D

Depois de tudo isto, do álcool, da chance, da vez
Ainda não consigo, embora tente, e de novo, faço tudo ...
Novamente
Irreparavelmente
Espero que passe logo
Logo e longe, assim vejo e assim estão as coisas, dentro e fora de mim...

Wednesday, November 10, 2004

peso

Sob o peso das suas asas de metal dourado e carne, voava. Mas pesava e imaginava, então, uma era futura, onde os dias seriam diferentes, sem estes limites que hoje matam e intimidam sua vida... e então voaria mais e mais e cada vez mais alto e veria, novamente, que esta e todas as outras vezes, perdidas, como o nome indica, não seriam mais parte alguma da sua vida e, livre, poderia então voar...e voaria muito e cada vez mais alto até o ponto que todos os limites superados se fundem e não resta mais mágoa, rancor ou qualquer outro sentimento das suas outras vidas, passadas e sombrias e veria então a vida, apenas e tão somente a vida, clara e precisa como nunca jamais o fora e se perceberia vivo, cada vez mais vivo...

Thursday, November 04, 2004

pensando em M.

Não sei exatamente em qual momento deixamos de ser importantes.Mas confesso que ainda assim penso, e imagino se não poderíamos ter mudado tudo. Mas isto é passado e agora não faz mais sentido. Mas ainda assim penso e te imagino ao lado. Mas você muda e não precisa mais deste cuidado.Chove, penso novamente em você...menos em mim, talvez...

Wednesday, November 03, 2004

resistência

Madrugada alta, coração incendeia
Pensamentos invadem minha cabeça e meu corpo sente...
Pensamentos em pedaços, palavras em pedaços, palavras e pedaços
E sinto e resisto, insisto e por fim, admito
Você...