Dois meses e um dia
Não apenas ouço, sinto que a tarde dói... de tão igual...e essa dor chega ao desespero, por não ouvir sua voz, por não responder suas perguntas, por não ter mais perguntas. Preencho o vazio e o tédio dos dias, cada vez mais intermináveis. Me esforço, guardo a minha dor. Não é possivel dividir algo assim... então fecho os olhos e penso no quanto seria bom se isto não tivesse ocorrido, se você estivesse aqui, ao alcance dos meus braços, aos meus olhos, que mergulhariam nos teus e todos estaríamos e seríamos completos. Sem separação, sem hiatos, sem intervalos. Uma felicidade completa, sem tempo pré-estabelecido. Eu poderia ver todas as bandeiras, ouvir suas histórias. Ontem, como hoje e em todos os dias futuros, você. Fui à banca comprar cigarros. Ao entrar deparei com o livro da pequena sereia, igual ao que esteve tantas vezes nas suas mãos. Engoli seco o meu sofrimento. Tantas coisas trazem você ao pensamento... faz exatamente dois meses e um dia que perdi você...
