imersão
E depois da cena, presencio e refaço todo o percurso mental que me consumiu alguns meses e o quase sofrimento que dele resta. Mas ainda assim vejo que é importante tal fato. Isto responde algumas questões que por muito, muito tempo, ficaram sem resposta. E então te vejo, vazio, raso, no contexto completo do seu mundo que para mim é completa e absurdamente estranho. E sinto coisas vagas, misto de rancor e mágoa, mas ao mesmo tempo é bom saber que a diferença nunca foi tão evidente. Sinto que perdi muito do meu já escasso tempo...E desejo profundamente a indiferença, já sem passado... como quando já forem passados muitos e muitos anos e, por acaso, numa rua qualquer de São Paulo, Lisboa, Barcelona ou Fortaleza, nossos olhares se cruzarem e, num átimo, saberei que o amargo gosto da memória, este travo que situa-se entre minha língua e teu olhar, não existe mais e, com ele perdido, esquecerei os dias... molharei as mãos e o rosto no mar e verei tudo que até então parecia oculto: eu mesmo, sem o mínimo sinal da presença... e não precisarei mais parecer simpático e educado... serei eu mesmo, assim, animalizado, passional, vertiginosamente mergulhado na vida, imerso em mim e no que gosto...

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